
Ontem de manhã, quando ia a caminho do emprego, ao folhear o jornal deparei-me com esta imagem..
Desde logo me tocou.. fiquei sem palavras (mesmo que as tivesse não diria nada pois ia sozinho..) e apoderou-se de mim um sentimento lindo.. porém triste..
Esta fotografia realmente mexe comigo.. leva-me para tão longe...
Faz-me recordar um livro que li de Paul Auster, "Timbucktu"..
Faz-me recordar um filme lindo, "Favores em cadeia"..
Leva-me a pensar no valor das coisas.. nas vicissitudes da vida.. na sorte.. no que podemos ou não fazer..
Quem sou eu para julgar este pobre homem? Que sei eu da sua vida? Como pode alguém dizer que "ele está assim porque quer.. ainda é novo.. tem bom cabedal pra trabalhar.." ??
Quantas e quantas vezes tenho assistido, ao longo da minha (breve.. breve..) vida, a mal-entendidos.. más interpretações.. juízos precipitados.. mudanças de opinião..
Qual de nós é que nunca passou por uma situação do tipo:
Um casal amigo zanga-se.. vem ele e desabafa conosco...
- Bla bla bla.. e ela fez isto... e bla bla bla.. e depois ainda disse que... bla bla bla..
E nós ficamos a pensar:
- Realmente.. como é que ela foi capaz?? Nunca pensei.. Como as pessoas enganam..
Contudo, ela como nossa amiga, combina um cafesinho pra desabafar.. e começa:
- Tu acreditas que ele foi capaz de... bla bla bla.. e depois ainda teve a lata de.. bla bla bla..
E nós damos por nós a pensar:
- Realmente.. como é que ele foi capaz?? Nunca pensei.. Como as pessoas enganam..
Mais tarde.. eles aparecem (caso nós não tenhamos dito o que não deviamos..) de mão dada, aos beijinhos.. e nós damos por nós a pensar:
- Realmente.. como é que eles foram capazes?? Nunca pensei.. Como as pessoas enganam..
Amigos o que quero transmitir com este exemplo é que dependendo da perspectiva, as coisas podem parecer-nos completamente diferentes.. (Se não viram vejam um filme espectacular passado praticamente sempre dentro de uma sala e que tem tudo a ver com o que estou aqui a dizer... "Os doze jurados")
É por isto que eu digo: - Quem sou eu para julgar uma pessoa sem sequer a conhecer? Sem sequer falar com ele.. ouvir a sua história? Que direito tenho eu de apontar o dedo e de me achar superior? De achar que não tive mais sorte na vida, que soube foi aproveitar as oportunidades e que fiz por ter e merecer a vida que tenho? Quem sou eu..??
Conselho: Quando pudermos e sentirmos vontade de ajudar alguém (condições para mim indespensáveis..) , façamo-lo, mas às escondidas..
Vão ver como é gratificante.. :D
Um abraço a todos os que querem contribuir para um mundo mais azul...
Nota: Esta imagem foi retirada do Site oficial do Jornal Destak e diz respeito a uma notícia sobre uma "torné" que o nosso Presidente fará nos próximos dias pela capital.. De referir ainda que a notícia dá conta de existirem, só em Lisboa, cerca de 931 sem-abrigo, 432 dos quais a viver na rua... ora eu pergunto: "Então onde vivem os outros 499 sem-abrigo? Num abrigo??? ;)