quinta-feira, dezembro 18, 2008

Feliz Natal!

Feliz Natal!


E como pra semana estou de férias e como ainda não tenho net em casa ( a saga com a clix continua.. ) e como não quero deixar de vos desejar um feliz Natal e como gosto de abusar nos "e" e então cá vão então os meus votos de muita diversão, comezaina, beberagem e galhofa!

E como vocês merecem aqui deixo a minha prenda para vós, um poema do meu poeta preferido, Pessoa, aliás de um certo Pessoa que dava pelo nome de Álvaro de Campos. Espero que gostem.. Felicidades!

Eu que me Aguente Comigo
Contudo, contudo, Também houve gládios e flâmulas de cores Na Primavera do que sonhei de mim. Também a esperança Orvalhou os campos da minha visão involuntária, Também tive quem também me sorrisse. Hoje estou como se esse tivesse sido outro. Quem fui não me lembra senão como uma história apensa. Quem serei não me interessa, como o futuro do mundo. Caí pela escada abaixo subitamente, E até o som de cair era a gargalhada da queda. Cada degrau era a testemunha importuna e dura Do ridículo que fiz de mim. Pobre do que perdeu o lugar oferecido por não ter casaco limpo com que aparecesse, Mas pobre também do que, sendo rico e nobre, Perdeu o lugar do amor por não ter casaco bom dentro do desejo. Sou imparcial como a neve. Nunca preferi o pobre ao rico, Como, em mim, nunca preferi nada a nada. Vi sempre o mundo independentemente de mim. Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas, Mas isso era outro mundo. Contudo a minha mágoa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja. Acima de tudo o mundo externo! Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim.


Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa